O Filho Eterno

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Costumo dizer que há pessoas que tem talento para ter filhos, outros não. E isso não é o fim do mundo, apenas é algo que se tem que reconhecer com antecedência para evitar o sofrimento de outros envolvidos que não tem culpa de coisa alguma. É pouco comum ver filmes que tratem desse assunto. Muitas vezes, aquele que não consegue transmitir esse sentimento tão único de amor a um filho, é tratado como vilão. Creio que pela primeira vez vi um personagem assim ser tratado com respeito e com compreensão em O Filho Eterno, que estreou esta semana nos cinemas, e é baseado no livro de sucesso de Cristóvão Tezza.

Ele é Roberto, casado e feliz com a esposa Claudia, que estão prestes a ter seu primeiro filho. Ele claramente acredita que o nascimento do filho é o marco para uma nova vida. Tudo parece perfeito até a criança nascer, no dia de uma decisão de Copa do Mundo, e o médico comunicar que Fabrício, o recém-nascido, é uma criança especial, que tem síndrome de Down. A notícia provoca em Roberto uma enxurrada de emoções contraditórias e conflitos que acabam afetando sua relação com o trabalho e seu casamento com Cláudia. O filme conta sua jornada de 12 anos, entre obstáculos, conquistas e descobertas.

É claro que este não é um filme fácil. Lida com emoções, rejeição, revolta, e, é claro, a falta de talento, de condições psicológicas para ser pai, especialmente de uma criança com Síndrome de Down. Mas é contado de uma forma concisa, e principalmente sem vilões e mocinhos. Paulo Machline, diretor de um dos melhores filmes nacionais que vi em tempos recentes (e injustiçado pela maioria da crítica e público), é também um apaixonado por futebol. Com isso, optou por situar a história a partir de finais do Copas do Mundo durante 12 anos. Um formato inteligente, que dá um bom ritmo à história. Dê uma olhadinha na entrevista que fiz com ele para o programa Show Vip:

O elenco é ótimo. Como Roberto, Marcos Veras deixa de lado o comediante e embarca nesse papel bem dramático, que é difícil de compreender pela maioria. Débora Falabella é a mãe amorosa perfeita. Desde o primeiro momento, quando ela acabou de receber o filho nos braços, é clara a percepção de seu amor tão profundo e total dedicação ao filho, feito pelo menino Pedro Vinicius, que é simplesmente adorável. No final, a mensagem é positiva, e você acredita que essas pessoas poderão chegar àquele momento daquela maneira. E, é claro, é emocionante.

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