O diálogo é essencial

Luiz Henrique Miranda*

Comportamentos estranhos à nossa cultura enriquecem a experiência da vida – global. Viajar para o exterior em 360° motiva, ainda mais, o desejo que predominava para 60% dos brasileiros, até 2016. Em 2017 o desejo de viajar no Brasil foi o que ganhou a preferência, com 60% (a exata inversão de forças). Com o salto de 20% em sentido inverso a polaridade reverte. Os fatores e as consequências mercadológicas refletem as tendências de mercado.

A segmentação, agenciada ou não, perde a força em favor da concentração de esforços compartilhados com todos os elos da cadeia de distribuição e produção; para atender mais e melhor, com ganhos de escala. A rentabilidade decorre do volume de vendas em massa, aliado à promoção de valores agregados.

Paradoxalmente, o mercado de turismo de luxo também prospera no Brasil. Visto de cima do topo da pirâmide social, mais do que as facilidades de pagamento oferecidas; baixas prestações e crescente navegação na web, os cenários naturais e culturais da nação verde-amarelo, de múltiplas cores presentes, encanta.

A presença de ex-executivos de grandes corporações globais e imigrantes como felizes moradores em destinos paradisíacos, é emblemática. Mais de 90% dos estrangeiros que visitaram o Brasil e foram entrevistados na última década declaram o desejo de voltar.

O momento, portanto, recomenda renovada atenção das autoridades públicas no apoio da iniciativa privada ao promover condições atrativas à venda do Turismo no Brasil, com estímulo à movimentação turística emissiva e receptiva, nacional e internacional. O produto turístico não é commodity. Pois é preciso lembrar, por exemplo, que a viagem de jovens brasileiros para estudar no exterior, em programas de intercâmbio, resulta em ganho social e econômico; pois com a qualificação da nossa força de trabalho obtemos aumento de produtividade.

Empresários e executivos que viajam ao exterior a negócio, mesmo para participar de eventos internacionais, contribuem com a geração de tributos que alimentam a vorazes apetites tributários – passíveis de indigestões frequentes; uma vez que alteram regras do jogo e causam instabilidades aos que, com muito esforço, buscam conquistar campeonatos no comércio global, cada vez mais competitivos.

Mesmo quem viaja a lazer e com todas as facilidades do e-commerce é beneficiado pela assistência profissional das agências de viagens da sua confiança. O setor não tem espaço para o amadorismo. Não é mais aceitável o consumidor confundir Operadora de Turismo com Agência de Viagens. A multiplicidade dos canais de venda, presenciais e virtuais, motivam buscar consultoria especializada em cada um dos segmentos e nichos de mercado – os quais também se multiplicam no ambiente tecnológico que a nova capacidade de distribuição alcança: sob medida. Atendimento exclusivo, um-a-um.

Por isso, dados apontados na balança comercial do Brasil pelo BC merecem análise mais detida, diferenciada da lógica binária; do entra tanto, sai tanto e chegamos ao resultado comparável com as exportações e as importações de produtos de origem industrial ou agropecuário.

O Turismo é mais pop do que o Agro, mas assim como a ruralidade é global. A força econômica, social e ambientalmente sustentável do Turismo há de equilibrar a equação da política pública e aumentar a movimentação para o setor como um todo.

*Luiz Henrique Miranda é jornalista e diretor executivo da Agência Amigo!

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