Atualidades Machadianas

Diante da revolta que sentimos com a pretensa (falaciosa) renovação que se operará no Congresso Nacional, nestas eleições – sobretudo quando pensamos nasregras (jogadas) vigentes que garantem maior evidência aos velhos caciques,favorecendo-lhes, pois, a reeleição –, mais uma vez me veio à mente a sabedoria(atualidade) do Bruxo do Cosme Velho.

Assim, atentemos, primeiramente, para esta matéria, publicada em O Estado de São Paulo, em 21/09, pp.: “A atenção dos brasileiros aos candidatos à Câmara dos Deputados e ao Senado é também de suma importância porque o País depende fundamentalmente da aprovação de uma série de reformas políticas e econômicas, algumas de natureza constitucional, a fim de reequilibrar as contas públicas, ter recursos para investir nas áreas em que a presença do Estado se faz necessária e atrair investimentos privados que irão levar ao aumento da oferta de emprego e à geração de renda, girando a roda do crescimento econômico.

“Nenhuma das duas frentes de atuação congressual – vale dizer, o fortalecimento ético e institucional do Congresso e a aprovação das reformas de que o País tanto necessita – será bem-sucedida no decorrer da próxima legislatura caso os eleitores tratem com desmazelo seus votos para os cargos do Poder Legislativo.” (As eleições parlamentares, Notas e Informações, P.A3).

Agora, vejam se lucidez de Machado de Assis também não se aplica ao momento presente: “Antes de mais nada, agradeci à Providência Divina este imenso favor de haver-me deparado alguma cousa que, exprimindo um resto de superstição antiga, dá-me ocasião de pedir a meus contemporâneos que hasteemos audazmente a bandeira da liberdade.

“A razão da superstição é clara. Sociedades políticas que ainda tresandam à Idade Média, em que tudo se dividia em classes, não pode conceber que a liberdade das funções seja um corolário da liberdade das opiniões. Daí a exigência, ainda vulgar, de que os melhores sapatos são os dos sapateiros: erro funesto e odioso, direi até ridículo, que é preciso acabar de uma vez para sempre.

Quando, por exemplo, certa folha dizia alguns dias que convinha pôr de lado os políticos de profissão, e votar nos que o não eram, essa folha escrevia uma grande verdade, daquelas que devemos trazer gravadas na alma em letras perpétuas. E não digo isto, nem o disse ela, porque os políticos de profissão não possam exercê-la algumas vezes com vantagem, como Bismarck, Pitt, Richelieu e alguns outros; mas porque o monopólio, sendo inimigo nato da liberdade (segundo elegantemente afirma o Brigadeiro Calino), faz perdurar o vício medieval que apontei, e impede que outros cidadãos levem ao governo do Estado uma parte das qualidade que lhes são próprias.”(Obras completas de Machado de Assis, Balas de Estado & Crítica, São Paulo: Globo, 1997, p.114).

E como diria o historiador Marco Antonio Villa (a quem muito admiro), a grande questão que se coloca é a seguinte: Quando essa droga vai mudar?

Dias Campos

diascampos1@gmail.com