Animais Noturnos

Animais Noturnos é um dos dois filmes de 2016 onde Amy Adams dá um show de interpretação. O outro é A Chegada, onde creio que ela ainda está mais brilhante. De todas as atrizes que vi este ano no cinema, com certeza, Amy mereceria o Oscar pelo “conjunto da obra”. Ela também nunca esteve tão bonita e elegante como em Animais Noturnos, que estreia amanhã nos cinemas. Aliás, o filme, como um todo tem lindas imagens, alternadas com algumas realmente violentas e até agressivas, que já começam nas primeiras cenas, com uma exposição de “arte”.

O suspense retrata a história de um casal separado há 20 anos. Susan (Amy Adams) é uma negociante de arte de Los Angeles que vive uma vida privilegiada, mas incompleta, ao lado de seu marido Hutton Morrow (Armie Hammer). Em um final de semana em que Hutton deve partir para uma de suas frequentes viagens de negócios, ela recebe um pacote inesperado: um livro escrito por seu ex-marido, Edward (Jake Gyllenhaal), e dedicado a ela. Uma publicação violenta e desoladora, que mexe com ela e a faz questionar algumas de suas escolhas de vida.

As cenas se alternam entre o passado de Edward e Susan, o presente, quando ela recebe o livro, e a história do livro conforme imaginada por Susan. A intenção clara de Tom Ford, diretor e roteirista (baseado no livro Tony e Susan, disponível no Brasil), foi chocar, inclusive com o final aberto, que possibilita as mais diversas interpretações.  E é claro que ele esperava que a crítica e a temporada de premiações fosse coroar esse processo criativo. Só que não foi bem assim, até porque as pessoas vêm tendo opiniões bem diversas sobre o resultado final, uma espécie de “amo ou odeio”. Com isso, no SAG’s, ele só teve a indicação como melhor elenco de dublês. No Globo de Ouro foi um pouco melhor. Conseguiu indicações para roteiro, direção e surpreendentemente para Aaron Taylor-Johnson como coadjuvante (que realmente está mais eficiente do que de costume).

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Na minha opinião, o filme é obviamente bom, bem fotografado, com excelentes atuações. Além de Amy e Jake, ainda tem Michael Shannon como o xerife e Laura Linney como a mãe de Susan. O figurino e a fotografia são perfeitos, o roteiro é inteligente, mas de qualquer maneira achei que faltou algo na direção, provavelmente um pouco de sentimento. E fez falta!

O diretor Tom Ford com Amy e Jake no Festival de Veneza

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