Daniel Maximilian Da Costa
A Nova Qualidade Total –
O novo papel da Qualidade nas empresas e instituições Latino-americanas
Ultimamente, intelectuais e especialistas em todo o planeta vêm tratando do tema do Novo Papel da Qualidade. O que devemos entender sobre isso?
Senhoras e senhores, no mundo atual não basta apenas seguir e aplicar as Normas de Qualidade mundialmente reconhecidas para alcançar o sucesso em nossas operações. Os principais executivos, diretores e gerentes de Qualidade têm como desafio a implantação de um conjunto de ações que demonstrem que a empresa está efetivamente comprometida com a Qualidade. Trata-se de estabelecer um compromisso público com a Qualidade.
Nesta nova era na Qualidade, o valor percebido pelo cliente está muito além de saber que o produto ou serviço não possui falhas e foi testado dezenas de vezes, ou até mesmo que o processo é certificado e possui garantia, pois os consumidores modernos já não notam isto como um diferencial, mas como uma obrigação do fornecedor para manter os padrões mínimos de qualidade em seus produtos e serviços.
Os consumidores do século XXI são mais informados e exigentes, o que não é uma novidade. Querem estar seguros de que além de um produto de qualidade, estão recebendo algo compatível com o meio-ambiente, além de uma garantia das políticas de RSE da empresa e de seus compromissos públicos em geral.
Não basta apenas seguir e aplicar as Normas. E isto não significa que as mesmas tenham perdido sua importância, mas que os consumidores mudaram sua percepção sobre a Qualidade.
A transparência nas ações realizadas não está apenas explícita nos relatórios entregues ao “público”, mas o “público” gera seus próprios relatórios através das Redes Sociais, correntes de e-mail, blogs e microblogs. O valor das ações realizadas pelas empresas com seus grupos de interesse é percebido de diferentes formas e comunicado por diferentes meios à opinião pública.
Grande parte das empresas comprometidas com um projeto de longo prazo possuem ações de Qualidade, RSE, cuidado com o meio ambiente, segurança no trabalho, ações relativas aos direitos trabalhistas, etc. Mas quantas delas conseguem sintetizar tudo em um Compromisso Público?
Além de poder transmitir estes princípios em um Compromisso Público (primeiro desafio), assumi-lo e promover internamente tais ações, o desafio se encontra no desenvolvimento de fornecedores, por exemplo.
O Desenvolvimento de Fornecedores é uma tarefa complicada, mas não impossível. Embora historicamente a ideia esteja associada a grandes empresas que desenvolvem PMEs, estou certo de que entre as PMEs possa existir a possibilidade do intercâmbio de experiências de sucesso e boas práticas. Diferentes estudos realizados mostram a existência de menos fornecedores disponíveis para a necessidade atual existente. O que seria melhor que desenvolver nossos próprios fornecedores?
Procuramos, neste artigo, definir o novo papel da Qualidade. Portanto, não podemos deixar de considerar que 1 + 1 = ∞, ou seja, minhas ações causam um efeito e este pode e deve ser replicado, servindo como exemplo à comunidade empresarial, industrial e acadêmica.
Nesta nova era da Qualidade, que na organização que presido chamamos de Responsabilidade Total, a empresa deve assumir um papel protagonista frente a todos os desafios apresentados e estar na vanguarda da competitividade, determinando os modelos e caminhos a serem seguidos.
Que as Normas nos sirvam de guias, mas que nossas ações sirvam de modelos.
Felizmente temos um mundo repleto de bons exemplos. Apesar dos desafios, basta assumir o compromisso e seguir adiante.
Daniel Maximilian Da Costa
Founder & CEO
Latin American Quality Institute
Para saber mais sobre Daniel da Costa e a LAQI, acesse: www.laqi.org
Retornar aos básicos.
Uma lição nas alturas.
A importância de «voltar aos básicos» nos momentos de crise.
Sempre desejei redigir um texto que envolvesse meus conhecimentos em aviação e meus conhecimentos empresariais e, esta semana, encontrei a inspiração para fazê-lo.
Recentemente fui convidado a fazer parte da direção de uma revista peruana com mais de 50 anos de trajetória e que atualmente passa por um processo de transformação e atualização. Trata-se de uma tarefa vista por muitos consultores como muito difícil e complexa. Neste momento, me lembrei de antigas lições que aprendi ao longo da vida.
Atendendo ao tema da aviação, hoje os grandes jatos possuem uma tecnologia tão eficiente que permite, inclusive, que as aeronaves mais modernas decolem e aterrissem sozinhas. Modernos sistemas de navegação fazem com que a segurança e a eficiência sejam características da aviação moderna.
As empresas modernas e inteligentes também possuem diferentes artifícios para “navegar” com segurança e eficiência. Diversas ferramentas de gestão, coaching, mentores, especialistas, softwares, redes de relacionamento e associações, entre outros, permitem que os empresários se sintam muito cômodos e seguros no comando de suas empresas.
Mas como se comportar num momento de crise?
No caso da aviação, quando todos os sistemas inteligentes falham, somos ensinados a “retornar aos básicos”. Neste caso, entenda-se por básicos os instrumentos de voo que nos informam sobre a altura e a velocidade do avião, sua altitude com relação ao solo, sem necessidade de tomar referências, se está em ascensão, descenso ou nivelado, assim como em que direção voa.
Ler corretamente estes instrumentos, declarar emergência e trazer a aeronave com segurança ao aeródromo mais próximo é garantia de ter salvado centenas de vidas.
Numa empresa, por mais alto que estejamos voando, ao surgir uma crise ou situação de emergência, temos também a oportunidade de “retornar aos básicos”.
Uma situação muito comum nas empresas que passam por uma longeva etapa de bonança financeira é que sua atividade principal se vê rodeada de processos e atividades complementares que, com o propósito de melhorar a empresa, acabam afastando a organização do que realmente importa.
Quando se apresenta uma emergência, a atitude natural de muitos empresários é cortar muitos ou todos os processos e atividades complementares. Muitas vezes, estes cortes provocam um suicídio empresarial.
Os instrumentos que devem ser lidos pelos “comandantes” empresariais neste caso são a essência e a motivação de seus negócios.
Retornar aos básicos implica, neste contexto, revisar a missão, a visão, e sentá-la numa base de valores com uma identidade clara. É recuperar o conceito de planejamento e também o otimismo tão característico de quando começamos nossos negócios. Além do mais, valorizar nossos recursos humanos e tecnológicos, recuperar a proposta de valor.
Logo, devemos entender que retornar aos básicos é ler corretamente os instrumentos, aplicar os procedimentos de emergência e trazer nossa empresa ao aeródromo mais próximo em segurança, salvando, neste caso, a essência e motivação que nos permitiram voar alto.
Lembrem-se que se conseguiram trazer sua aeronave com segurança a terra, a mesma estará em condições – após as reparações necessárias – de alcançar novos voos, talvez mais altos e distantes que o primeiro plano de voo estabelecido.
Daniel Maximilian Da Costa
Founder & CEO
Latin American Quality Institute